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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

EM UMA SEMANA, SES CONFIRMA 1.391 NOVOS CASOS DE DENGUE E CHIKUNGUNYA

No entanto, nenhum caso de zika foi confirmado. Balanço foi divulgado nesta quarta-feira



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A Secretaria de Saúde (SES) notificou, em uma semana, 1.508 casos de dengue, 1.255 casos de chikungunya e 47 de zika em Pernambuco. Destes, foram confirmados 827 para dengue e 564 para chikungunya. No entanto, nenhum caso de zika foi confirmado. O balanço foi referente ao período de 13 a 20 de agosto. As confirmações das 1.391 ocorrências foram divulgadas nesta quarta-feira (24).
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Ainda segundo a SES, de 3 de janeiro a 20 de agosto foram notificados 97.801 casos de dengue. Do total, foram confirmados, este ano, 26.260 casos em 184 municípios, além de Fernando de Noronha. No mesmo período, a SES notificou 51.560 casos de chikungunya, tendo confimação de 21.241 casos. Já os casos de zika, este ano, foram notificados 10.856, tendo a confirmação de 147 casos. Ao todo, a SES registrou, em uma semana, três óbitos pelas arboviroes.
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Dados de 2015
Foram 111.330 casos suspeitos de dengue em 2015 (em relação a 2016, redução de 12,2%), com 48.657 confirmações. Já para chikungunya, no mesmo período, foram notificados 375 casos. Em todo o ano de 2015, foram notificados 6.840 casos suspeitos de chikungunya, sendo 3.649 confirmados e 1.420 descartados. Em relação ao vírus da zika, em todo o ano de 2015, desde o início das notificações obrigatórias, a partir de 10 de dezembro, foram notificados 1.386 casos da doença. Em 2015, foram confirmados 46 casos de zika.

Surto
De acordo com a SES, são 53 municípios com risco de surto, 90 municípios em situação de alerta, 37 municípios em situação satisfatória e quatro municípios não informaram o resultado. Fernando de Noronha, no entanto,k não tem indicação técnica para a realização do levantamento.

Microcefalia
O número de casos confirmados de microcefalia foi mantido. Segundo a SES, até o momento, foram 378 casos confirmados e 293 em investigação. O balanço foi referente ao período de 1º de agosto de 2015 a 20 de agosto de 2016. Com relação ao número de óbitos, o governo informou que 88 foram notificados, na última semana, três a mais do que no levantamento anterior.

Do: Folha PE
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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

O AMOR E A LUTA DE UM PAI ENTRE AS DROGAS, A POBREZA E A MICROCEFALIA

Paulo Rogério e Maria de Fátima com a pequena vitória em seu casebre na Vila Santa Luiza, na Torre (Foto: João Carlos Lacerda/FAV)Paulo Rogério e Maria de Fátima com a pequena Vitória e sua irmã, no barraco em que vivem na Vila Santa Luiza, na Torre, Zona Norte do Recife (Foto: João Carlos Lacerda/FAV)
O pedreiro Paulo Rogério Araújo conheceu Maria de Fátima dos Santos, 21, num ponto de prostituição no Recife. Ele, cliente. Ela, moradora de rua desde os 8 anos, usuária de crack e garota de programa. No primeiro encontro, o pagamento pelo serviço e um convite. Paulo chamou Fátima para morarem juntos. Ela relutou. Ele insistiu. Começaram uma relação que tinha tudo para dar errado. Deu certo. Três anos depois, Fátima abandonou os programas, as drogas e o passado. O presente tem nome: Eduarda Vitória, 10 meses, uma das 376 crianças com microcefalia nascidas em Pernambuco. O Dia dos Pais, frisa Fátima, é uma data para celebrar a família e a persistência de seu companheiro em constituir uma família.
“Se não fosse por ele, eu estaria no fundo do poço. Eu sempre pedia a Deus que me livrasse das drogas e me desse uma família. Foi através do meu marido que eu consegui isso. Foi ele quem me mostrou o caminho. Desde que a gente se conheceu ele falou que queria viver comigo e mudar minha vida”, ressalta a mulher, que foi viciada em crack por uma década. “Não me envergonho das coisas que fiz. Me prostituí por causa das drogas, mas sei que dei a volta por cima”, completa.
Ela chora muito, espirra muito, tem convulsões. O trabalho é grande, mas a gente junto faz melhor. Minha filha está sempre limpinha e bem cuidada"
Paulo Rogério Araújo, pedreiro
Desde que os casos de microcefalia começaram a saltar nas estatísticas da Secretaria Estadual de Saúde (SES), as atenções – por razões óbvias – se voltaram para as mães. Outras reportagens versavam sobre pais que estavam abandonando filhos nascidos com a malformação – levantamento do Instituto Baresi revela que 70% dos homens deixam as mulheres quando o bebê nasce com alguma deficiência.
Mas os números não medem histórias como a de Paulo Rogério Araújo. Antes de sua segunda filha nascer, ele trabalhava como servente de pedreiro, lavava carros e carregava fretes no Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco (Ceasa-PE). Largou todos os empregos para ajudar a esposa Maria de Fátima na criação e no tratamento da menina com microcefalia. “Sempre fui trabalhador, mas no momento não estou conseguindo por causa de Eduarda Vitória. Minha mulher não consegue fazer tudo sozinha. Ajudo em tudo”, diz.
Seja nas consultas semanais na Fundação Altino Ventura (FAV), nas terapias na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) ou nas idas ao Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), o pai sempre está lá, revezando com a mãe o cansaço e o prazer de embalar a pequena nos braços. “Ela chora muito, espirra muito, tem convulsões. O trabalho é grande, mas a gente junto faz melhor. Minha filha está sempre limpinha e bem cuidada”, orgulha-se.
Condições insalubres fazem parte da vida do casal, que não desiste de dar uma vida melhor à pequena Vitória e sua irmã (Foto: João Carlos Lacerda/FAV)Condições insalubres fazem parte da vida do casal,
que não desiste de dar uma vida melhor à pequena
Vitória e sua irmã (Foto: João Carlos Lacerda/FAV)
As condições de vida, no entanto, jogam contra. A família vive do benefício do INSS dado aos pais de bebês com microcefalia - no valor de um salário mínimo e que não é suficiente para pagar as contas. As doações, que eram abundantes quando a microcefalia e a zika ganharam manchetes mundiais, foram ficando cada vez mais raras.
Marido, mulher e as duas filhas moram em um barraco de madeira na Vila Santa Luzia, na Torre, Zona Norte do Recife. Em fevereiro, quando Eduarda Vitória era recém-nascida e o casal ainda assimilava a novidade de uma filha com microcefalia, a tragédia quase bateu à porta. Um incêndio na comunidade destruiu dezenas de barracos. O fogo chegou a menos de 50 metros da casa deles. A fumaça avisou que o pior estava perto.
A família unida é o maior presente de Paulo neste Dia dos Pais, mas o homem também sonha com o futuro em que possa deixar o casebre para botar a filha numa residência digna. “A gente dorme de luz acesa porque no barraco aparece barata, rato, até cobra. Dá medo. Minha filha chora fácil e a situação aqui é difícil. Sonho com uma casinha para elas”.
Wagner SarmentoDa Rede Globo Nordeste
Do: G1 PE
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