
A
cultura é, seguramente, um tema de muita importância para abrangermos melhor
não só nossas estirpes, mas também a influência do nosso cotidiano em relação a
nossa maneira de agir e ver o mundo.
A
representatividade da cultura não é algo circunscrito ao Brasil, ao nosso
estado, à nossa cidade, mas em todos os países, em todos os lugares, as pessoas
vivenciam determinada cultura e, de alguma forma, isso a diferencia e permite
que seja reconhecida como um grupo diferente dos outros.
A expressão
cultura é utilizada com diferentes significados, como por exemplo, no campo da
biologia. No nosso dia a dia, habituamos dizer que uma pessoa tem cultura quando
frequentou boas escolas, leu bons livros, adquiriu conhecimentos científicos,
teve uma boa formação religiosa etc...
Existem,
portanto, dessemelhantes maneiras de pensar e ver o mundo. Cada uma delas está
relacionada à cultura dos diversos grupos sociais que compõem nossa cidade,
nosso estado, nosso país e o mundo.
O
homem pode compreender, então, que a cultura está ligada às tradições e aos valores
de uma sociedade, comunicadas de uma geração a outra. É respeitável incluirmos,
também, que a fusão de culturas diversas dá origem a uma nova cultura que
chamamos de Aculturação. Equivalente a esta realidade existe a Contracultura,
que é uma cultura alternativa, cultura marginal. É uma forma de manifestação
cultural em oposição aos valores tradicionais estabelecidos pela sociedade. É
uma oscilação de pessoas que se opõem radicalmente a determinados valores
considerados importantes em uma sociedade dividida em classes sociais.
Há
quinhentos e dezessete anos que fomos colonizados numa perspectiva de uma
colonização de exploração, pelos portugueses, que trouxeram consigo os
primeiros missionários para a Terra de Santa Cruz, destacando-se os
missionários jesuítas, franciscanos etc., que se doaram incansavelmente pela
evangelização dos povos indígenas. Não podemos esquecer, também, os povos
africanos que vieram escravizados pelos europeus, vítimas de uma falsa cultura
e tradição, que os fizeram pessoas excluídas e desprovidas de sua dignidade
humana; a cultura da escravidão perdurou por séculos em nosso país.
Dentro
deste contexto, houve uma mistura de várias culturas: europeia, africana,
indígena, etc., sabendo que, de uma certa forma, todas essas influências
culturais aconteceram dentro de um contexto religioso chamado catolicismo, por
causa da religião predominante da época.
O
Documento da Conferência Episcopal Latino-Americana de Aparecida, no Capítulo
X, trata do tema: Nossos Povos e a
Cultura. No qual no N° 480, podemos encontrar uma das seguintes reflexões: “Muitos católicos se encontram desorientados
frente a essa mudança cultural. Compete à Igreja denunciar claramente “estes
modelos antropológicos incompatíveis com a natureza e dignidade do homem”. É
necessário apresentar a pessoa humana como o centro de toda a vida social e
cultural, resultando nela: a dignidade de ser imagem e semelhança de Deus e a
vocação de ser filhos no Filho, chamados a compartilhar sua vida por toda a
eternidade. A fé cristã nos mostra Jesus Cristo como a verdade última do ser
humano, o modelo no qual o ser humano se realiza em todo o seu esplendor
ontológico e existencial. Anunciá-lo integralmente em nossos dias exige coragem
e espírito profético. Neutralizar a cultura de morte com a cultura cristã da
solidariedade é imperativo que diz respeito a todos nós e que foi objetivo
constante do ensino social da Igreja. No entanto, o anúncio do Evangelho não
pode prescindir da cultura atual. Esta deve ser conhecida, avaliada e em certo
sentido assumida pela Igreja, com linguagem compreendida por nossos
contemporâneos. Somente assim a fé cristã poderá aparecer como realidade
pertinente e significativa de salvação. Mas essa mesma fé deverá gerar modelos
culturais alternativos para a sociedade atual. Os cristãos, com os talentos que
receberam, talentos apropriados deverão ser criativos em seus campos de
atuação: o mundo da cultura, da política, da opinião pública, da arte e da
ciência”.
Sua
Santidade o Papa Francisco, na Evangelii
Gaudium, fala sobre Alguns desafios
culturais [61-67], o Desafio das
culturas urbanas [71-75], e sobre os Desafios
da inculturação da fé [68-70],
onde também podemos refletir o seguinte no n° 69: ”Há uma necessidade
imperiosa de evangelizar as culturas para inculturar o Evangelho. Nos países de
tradição católica, tratar-se-á de acompanhar, cuidar e fortalecer a riqueza que
já existe e, nos países de outras tradições religiosas ou profundamente
secularizados, há que procurar novos processos de evangelização da cultura,
ainda que suponham projetos a longo prazo. Entretanto não podemos ignorar que
há sempre uma chamada ao crescimento: toda a cultura e todo o grupo social
necessitam de purificação e amadurecimento. No caso das culturas populares de
povos católicos, podemos reconhecer algumas fragilidades que precisam ainda de
ser curadas pelo Evangelho: o machismo, o alcoolismo, a violência doméstica,
uma escassa participação na Eucaristia, crenças fatalistas ou supersticiosas
que levam a recorrer à bruxaria, etc. Mas o melhor ponto de partida para curar
e ver-se livre de tais fragilidades é precisamente a piedade popular”.
Assim,
podemos perceber que a sociedade, ao longo da história e do tempo, está sujeita
às mudanças, sejam elas no âmbito político, econômico, social e, claro,
religioso. E que segundo a sociologia, a Igreja é uma das principais
instituições da sociedade. Pois a mesma desempenha uma função social
indispensável.
Dentro
deste contexto, partindo para a realidade histórica de nossa paróquia, conforme
está no brasão da mesma, desde 1857, que podemos constatar a devoção a São
Sebastião, mártir glorioso da Santa Igreja Católica, na época em que os
tropeiros chegavam a descansar na sombra do pé de jatobá. Desde então, missas,
procissões e outras manifestações religiosas começaram a se difundir na
pequenina vila. Com suas alvoradas festivas, quermesses e confraternizações religiosas,
dentro de um contexto familiar e saudável permeados pelos verdadeiros valores
éticos e morais. O tempo passou e já se completaram 160 anos de tradição, de fé
e de bons costumes em nossa cidade.
Até
hoje, os filhos ausentes e presentes, marcam presença e se alegram com o bom
êxito e o crescimento religioso e cultural da festa de São Sebastião, em
Jataúba - PE. Tem sido um momento de muita devoção e piedade em suas
manifestações de fé e confraternização entre as pessoas de boa vontade.
Como
esquecer a alvorada festiva no dia 11 de janeiro de 2017; os hasteamentos das
bandeiras do Vaticano, da nossa querida Diocese de Pesqueira e de nossa
Paróquia, contando com a presença do Grupo da Terceira Idade de nossa cidade e
o saudoso café da manhã? Como esquecer os noiteiros, a visita à Cadeia Pública,
ao Hospital (no qual se iniciou procissão da bandeira, sendo acompanhada por
uma multidão de fiéis), a celebração da Unção dos Enfermos, as celebrações
eucarísticas, a belíssima Cavalgada (mais de trezentos vaqueiros, de perto e de
longe, marcaram presença), as girândolas festivas, homenageando todas as noites
o padroeiro, o passeio ciclístico incentivando as crianças e a juventude à
prática do lazer e do esporte? Como esquecer a Carreata de São Sebastião (na qual
a Igreja incentiva o cuidado no trânsito e a prática das leis), a Missa da
Vigília esperando a chegada do dia vinte de janeiro; o porta a porta
missionário, a presença de sacerdotes de várias paróquias, a presença de todas
as comunidades rurais (onde todas receberam mudas de plantas, contribuindo,
assim, com o meio ambiente), a Matriz e a praça lotada de
fiéis; a missa solene no dia vinte de janeiro e a de encerramento; o show
religioso (e por que não dizer cultural?), a presença da quase centenária Banda
Filarmônica São Sebastião; a tradicional procissão pelas ruas de nossa cidade,
acompanhada por uma multidão de fiéis (que segundo os moradores de nossa
cidade, foi a maior procissão de todos os tempos); o parque de diversões
favorecendo a alegria e o lazer do povo? E as fitas vermelhas de pedidos e
promessas amarradas no portão da Igreja Matriz, expressando a fé e a devoção do
nosso povo?
![]() |
| Imagem: Hasteamento das Bandeiras: Vaticano, Diocese e Paróquia de São Sebastião |
![]() |
| Imagem: Café da manhã, oferecido aos fieis |
![]() |
| Imagem: Celebração Missa dos Enfermos |
![]() |
| Imagem: Abertura da Festa/Hospital/Procissão da bandeira até a Matriz |
![]() |
| Imagem: Passeio Ciclístico das festividades do Novenário de São Sebastião! |
![]() |
| Imagem: Vaqueiros/Cavalgada dos noiteiros do Novenário de São Sebastião 2017 |
![]() |
| Imagem: Noite dedicada as Crianças/Escolas do Município |
![]() |
| Imagem: Banda de Pífano do Jacu/Noite das Comunidades Rurais |
![]() |
| Imagem: Quermesse/ Jovens do EJC |
![]() |
| Imagem: Noite dos Motoristas e Motoqueiros |
![]() |
| Imagem: Orquestra Filarmônica São Sebastião - Jataúba, PE |
![]() |
| Imagem: 20/01 - Logo após a procissão, os fieis dizem sim pra Festa Religiosa |
![]() |
| Imagem: Noite da Vigília 19/Esperando o dia 20 - Dia do Padroeiro |
![]() |
| Imagem: Maior Procissão da História da Festa de São Sebastião - Chegando próximo ao Hospital, os fieis/devotos vinham por trás do clube municipal. |
![]() |
| Imagem: Jovens do EJC/Comidas típicas apreciadas por fieis após as celebrações, durante todo novenário de São Sebastião 2017. |
E
mais, como esquecer da nossa quermesse paroquial, valorizando e incentivando a
partilha, a solidariedade e a confraternização, sendo organizada pelas famílias
e pela juventude de nossa paróquia? A volta de católicos afastados para a sua
comunidade paroquial; as transmissões (ao vivo, das celebrações) pelas redes
sociais, sendo acompanhadas por países como: Portugal, Holanda, Canadá,
Argentina etc., como esquecer? Realmente, não se pode negar que a nossa
Paróquia de São Sebastião de Jataúba – PE está integrada com o mundo.
![]() |
| Imagem: Padre Marconi, Consagração do Santíssimo Sacramento |
![]() |
| Imagem: Encerramento da Festa de São Sebastião com a benção do Santíssimo Sacramento |
Nos
últimos anos, com a presença dos párocos que passaram em nossa cidade, tendo o
apoio do Conselho Pastoral Paroquial e Econômico, seguindo as Orientações da
Diocese de Pesqueira, a Tradicional Festa de São Sebastião, tem progredido a
cada ano. Vale a pena recordar, que a população jataubense tem incentivado e
expressado o desejo permanente de ter uma festa 100% religiosa, livre de
situações que favoreçam a desvalorização da Dignidade Humana. Como, por
exemplo, a prática do alcoolismo, prostituição, violência, assassinatos, usos
de drogas etc., como tem ocorrido, infelizmente, em alguns lugares, permitindo,
assim, “uma cultura de contra valores”. Na qual, lamentavelmente, em tempos
passados se introduziu na festa de nosso padroeiro.
![]() |
| Imagem: São Sebastião no andor, ornamentado para procissão (20/01/2017) |
Hoje,
vivenciando tempos novos, iluminados pela Palavra de Deus e conduzidos pelo
Espírito Santo, à festa de nossa paróquia, a Festa de São Sebastião tem servido
de modelo e de inspiração para outras cidades e paróquias. É a Igreja a serviço
da Vida, na luta por um mundo melhor, mais humano e fraterno, anunciando o
Evangelho da Salvação para todos os povos!
Por
fim, “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos Libertará” ( Jo 8, 32).
Pascom-
Pastoral da Comunicação
Paróquia
São Sebastião
Jataúba-Diocese
de Pesqueira-PE
Imagens: Assessoria/Renata Guenes


















0 comentários:
Postar um comentário