Não foi desde o principio que as produções feitas para a televisão possuíam cores. No início as captações eram feitas em preto e branco. Com o passar do tempo e com o avanço das tecnologias veio à captação de imagens e as televisões propícias para as produções coloridas.
Porém, as cores passaram a exercer uma função que não necessariamente tem haver com a realidade, muitas das vezes ela é utilizada em função dos valores e das implicações psicológicas e dramáticas das muitas tonalidades.
Alguns filmes foram retratados com uma predominância de cores, justamente para resgatarem/darem um sentimento à história, uma sensação psicologicamente referente ao que está sendo narrado e reportado naquela produção.
A lista de Schindler foi um das produções que se utilizou a cor como linguagem. Este é um filme norte-americano da década de 90 sobre Oskar Schindler, um empresário alemão que salvou a vida de mais de mil judeus durante o Holocausto ao empregá-los em sua fábrica. Foi dirigido por Steven Spielberg e escrito por Steven Zaillian, baseado no romance Schindler’s Ark escrito por Thomas Keneally.
O filme traz uma representação vem focada na verdadeira vida de Oskar Schindler, vivido por Liam Neeson. As cores dramáticas utilizadas para retratar esteticamente o filme, dando-lhe a notória frieza nazista, a vida sem cor dos judeus, fazendo referencia a época e dando ainda, um ar de documentário, foi O PRETO E BRANCO. Spielberg disse o que a cor, ou a falta dela representa no seu filme: “Para mim a cor é o símbolo da vida. Por isso um filme sobre o Holocausto tinha que ser em preto e branco”.
No começo do filme, vê-se uma família observando o Shabat. O diretor Spielberg disse que “começar o filme com velas sendo acesas,seria algo rico, começar o filme com um Shabat normal antes que o rolo compressor contra os judeus começasse”. Logo a cor vai embora nos momentos iniciais do filme, onde a fumaça vem simbolizar os corpos sendo queimados em Auschwitz-Birkenau. Apenas no final da produção, as imagens das velas reganham acolhimento quando Schindler permite que eles honrem o Shabat. Para Spielberg, elas representam “apenas um lampejo de cor, um lampejo de esperança”.
Outro momento marcante em relação a cor, é a menininha de casaco vermelho que se destaca num cenário todo monocromático. Para alguns isso simboliza inocência, esperança ou o sangue vermelho dos judeus sendo sacrificados no horror do Holocausto.
Para o próprio Spielberg a cor foi interpretada da seguinte maneira: “Estados Unidos, Rússia e Inglaterra sabiam sobre o Holocausto, e mesmo assim não fizeram nada. Nós não enviamos qualquer uma de nossas forças para impedir a marcha em direção à morte, a inexorável marcha em direção à morte. Foi um enorme derramamento de sangue, primariamente na cor vermelha no radar de todos, porém ninguém fez nada a respeito. E é por isso que eu quis trazer a cor vermelha”.
Pelo que vimos, a cor teve função determinante na estética e linguagem do filme, ela demonstrou o drama, sofrimentos e friezas nessa triste história. A cor teve uma utilidade fundamental na produção e no contar dessa barbárie macabra que marcou a história do mundo.
Blog do Alberto Barbosa Jataúba" PE



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