A Secretaria Municipal de Educação e Cultura, promove a I Semana Municipal de Informação Sobre Autismo.
A Secretária de Educação e Cultura de Jataúba Dra. Severina Farias, nos passou as seguintes informações. E, pediu para que a população jataubense comparecessem ao evento para ficarem bem informados.
"Crianças com Transtorno do
Espectro Autista (TEA) já começam a demonstrar sinais nos primeiros meses de
vida: elas não mantêm contato visual efetivo e não olham quando você chama. A
partir dos 12 meses, por exemplo, elas também não apontam com o dedinho. No
primeiro ano de vida, demonstram mais interesse nos objetos do que nas pessoas
e, quando os pais fazem brincadeiras de esconder, sorrir, podem não demonstrar
muita reação" relatou a Dra. Severina Farias.
O diagnóstico do autismo é
clínico, feito através de observação direta do comportamento e de uma
entrevista com os pais ou responsáveis. Os sintomas costumam estar presentes
antes dos 3 anos de idade, sendo possível fazer o diagnóstico por volta dos 18
meses de idade.
Os Transtornos do Espectro
do Autismo (TEA) referem-se a um grupo de transtornos caracterizados por um
espectro compartilhado de prejuízos qualitativos na interação social, associados
a comportamentos repetitivos e interesses restritos pronunciados (Brentani et
al, 2013). Os TEAs apresentam uma ampla gama de severidade e prejuízos, sendo
frequentemente a causa de deficiência grave, representando um grande problema
de saúde pública. Há uma grande heterogeneidade na apresentação fenotípica do
TEA, tanto com relação à configuração e severidade dos sintomas comportamentais
(Geschwind, 2009).
A atual dificuldade de
identificação de subgrupos de TEA que poderiam direcionar tratamentos e
viabilizar melhores prognósticos, dificultam progressos no desenvolvimento de
novas abordagens de tratamento destes pacientes.
A nova edição do DSM trouxe
uma nova estrutura de sintomas, e a tríade de sintomas que modela déficits de
comunicação separadamente de prejuízos sociais do DSM-IV, que foi substituído
por um modelo de dois domínios composto por um domínio relativo a déficit de
comunicação social e um segundo relativo a comportamentos/interesses restritos
e repetitivos. Além disso, o critério de atraso ou ausência total de
desenvolvimento de linguagem expressiva foi eliminado do DSM-5, uma vez que
pesquisas mostraram que esta característica não é universal, nem específica de
indivíduos com TEA.
A seguir os critérios
diagnósticos do DSM-V
DSM-V : Transtorno do
Espectro do Autismo
Deve preencher os critérios
1, 2 e 3 abaixo:
1. Déficits clinicamente
significativos e persistentes na comunicação social e nas interações sociais,
manifestadas de todas as maneiras seguintes:
2. Déficits expressivos na
comunicação não verbal e verbal usadas para interação social;
b. Falta de reciprocidade
social;
c. Incapacidade para
desenvolver e manter relacionamentos de amizade apropriados para o estágio de
desenvolvimento.
3. Padrões restritos e
repetitivos de comportamento, interesses e atividades, manifestados por pelo
menos duas das maneiras abaixo:
4. Comportamentos motores ou
verbais estereotipados, ou comportamentos sensoriais incomuns;
b. Excessiva
adesão/aderência a rotinas e padrões ritualizados de comportamento;
c. Interesses restritos,
fixos e intensos.
5. Os sintomas devem estar
presentes no início da infância, mas podem não se manifestar completamente até
que as demandas sociais excedam o limite de suas capacidades.
Justificativas:
1. Novo nome para a categoria,
Transtorno do Espectro do Autismo, que inclui transtorno autístico (autismo),
transtorno de Asperger, transtorno desintegrativo da infância, e transtorno
global ou invasivo do desenvolvimento sem outra especificação.
A diferenciação entre
Transtorno do Espectro do Autismo, desenvolvimento típico/normal e de outros
transtornos “fora do espectro” é feita com segurança e com validade. No
entanto, as distinções entre os transtornos têm se mostrado inconsistentes com
o passar do tempo. Variáveis dependentes do ambiente, e frequentemente
associadas à gravidade, nível de linguagem ou inteligência, parecem contribuir
mais do que as características do transtorno.
Como o autismo é definido
por um conjunto comum de sintomas, estamos admitindo que ele seja melhor
representado por uma única categoria diagnóstica, adaptável conforme
apresentação clínica individual, que permite incluir especificidades clínicas
como, por exemplo, transtornos genéticos conhecidos, epilepsia, deficiência
intelectual e outros. Um transtorno na forma de espectro único, reflete melhor
o estágio de conhecimento sobre a patologia e sua apresentação clínica.
Três domínios se tornam
dois:
1) Deficiências sociais e de
comunicação;
2) Interesses restritos,
fixos e intensos e comportamentos repetitivos.
Déficits na comunicação e
comportamentos sociais são inseparáveis, e avaliados mais acuradamente quando
observados como um único conjunto de sintomas com especificidades contextuais e
ambientais.
Atrasos de linguagem não são
características exclusivas dos transtornos do espectro do autismo e nem
universais dentro dele. Podem ser definidos, mais apropriadamente, como fatores
que influenciam nos sintomas clínicos de TEA, e não como critérios do
diagnóstico do autismo para esses transtornos.
Exigir que ambos os
critérios sejam completamente preenchidos, melhora a especificidade diagnóstico
do autismo sem prejudicar sua sensibilidade.
Fornecer exemplos a serem
incluídos em subdomínios, para uma série de idades cronológicas e níveis de
linguagem, aumenta a sensibilidade ao longo dos níveis de gravidade, de leve ao
mais grave, e ao mesmo tempo mantém a especificidade que temos quando usamos
apenas dois domínios.
A decisão foi baseada em
revisão de literatura, consultas a especialistas e discussões de grupos de
trabalho. Foi confirmada pelos resultados de análises secundárias dos dados
feitas pelo CPEA e pelo STAART, Universidade de Michigan, e pelas bases de
dados da Simons Simplex Collection.
Muitos critérios sociais e
de comunicação foram unidos e simplificados para esclarecer os requerimentos do
diagnóstico do autismo.
No DSM IV, critérios
múltiplos avaliam o mesmo sintoma e por isso trazem peso excessivo ao ato de
diagnosticar.
Unir os domínios social e de
comunicação, requer uma nova abordagem dos critérios.
Foram conduzidas análises
sobre os sintomas sociais e de comunicação para estabelecer os conjuntos mais
sensíveis e específicos de sintomas, bem como os de descrições de critérios para
uma série de idades e níveis de linguagem.
Exigir duas manifestações de
sintomas para comportamento repetitivos e interesses fixos e focados, melhora a
especificidade dos critérios, sem perdas significativas na sensibilidade. A
necessidade de fontes múltiplas de informação, incluindo observação clínica
especializada e relatos de pais, cuidadores e professores, é ressaltada pela
necessidade de atendermos uma proporção mais alta de critérios.
A presença, via observação
clínica e relatos do(s) cuidador(es), de uma história de interesses fixos,
rotinas ou rituais e comportamentos repetitivos, aumenta consideravelmente a
estabilidade do diagnóstico do autismo do espectro do autismo ao longo do
tempo, e reforça a diferenciação entre
TEA e os outros transtornos.
A reorganização dos
subdomínios aumenta a clareza e continua a fornecer sensibilidade adequada, ao
mesmo tempo em que melhora a especificidade necessária através de exemplos de
diferentes faixas de idade e níveis de linguagem.
Comportamentos sensoriais incomuns
são explicitamente incluídos dentro de um subdomínio de comportamentos motores
e verbais estereotipados, aumentando a especificação daqueles diferentes que
podem ser codificados dentro desse domínio, com exemplos particularmente
relevantes para crianças mais novas.
1. O Transtorno do Espectro do
Autismo é um transtorno do desenvolvimento neurológico, e deve estar presente
desde o nascimento ou começo da infância, mas pode não ser detectado antes, por
conta das demandas sociais mínimas na mais tenra infância, e do intenso apoio
dos pais ou cuidadores nos primeiros anos de vida.
O DSM-5 também reconhece que
indivíduos afetados variam com relação a sintomas não específicos do TEA, tais
como habilidade cognitiva, habilidade de linguagem expressiva, padrões de
início, e comorbidades psicopatológicas. Estas distinções podem proporcionar
meios alternativos para identificação de subtipos dentro do TEA.
Assim, visando aumentar a
especificidade do diagnóstico de TEA, o DSM-5 identifica tanto os sintomas
diagnósticos principais como características não específicas do TEA que variam
dentro desta população.
Apesar dos avanços genéticos
em relação ao TEA, as bases genéticas associadas aos fenótipos ainda permanecem
desconhecidas devido à grande heterogeneidade genética e fenotípica da doença,
pois o TEA não é visto como uma doença atrelada a um único gene, mas sim uma
doença complexa resultado de variações genéticas simultâneas em múltiplos genes
(Iyengar and Elston 2007) junto com uma complexa interação genética, epigenética
e fatores ambientais (Persico and Bourgeron 2006, Eapen 2011).
Como há uma enorme
variabilidade em termos de comportamento (gravidade dos sintomas), cognição e
mecanismos biológicos, construindo-se a idéia de que o TEA é um grupo
heterogêneo, com etiologias distintas, eles de beneficiam de avaliação
individualizada para propor a melhor composição de acompanhamento para o caso.
Aproximadamente 60-70% têm
algum nível de deficiência intelectual, enquanto que os indivíduos com autismo
leve apresentam faixa normal de inteligência e cerca de 10 % dos indivíduos com
autismo têm excelentes habilidades intelectuais para a sua idade (Brentani, et
al. 2013).
Blog do Alberto Barbosa



0 comentários:
Postar um comentário