Diário de Pernambuco
A
presidente "Dilma Rousseff enfrenta nesta terça-feira a reunião do Diretório
Nacional do PMDB", em Brasília, com apenas 6 das 27 unidades da Federação
favoráveis à permanência do partido no seu governo. Levantamento do Correio
aponta que lideranças de 14 diretórios estaduais estão decididas a votar pelo
fim do casamento entre PMDB e PT e a entregar cargos ocupados por
correligionários e apadrinhados. O restante está dividido. O número de votos
varia por estado, mas entre aqueles que devem optar pela debandada estão os com
maior número de votantes, como Rio de Janeiro, que tem 12, e Minas Gerais, com
10.
Ao
todo, serão 119 votantes e 155 votos. Essa diferença existe porque alguns
membros da executiva nacional têm direito a mais de um voto por ocuparem cargos
de liderança e presidência do partido ou de diretório, por exemplo. Na Bahia, o
ex-ministro da Integração Nacional do governo Lula Geddel Vieira Lima acumula
três votos por ser presidente de diretório, ex-líder da bancada na Câmara e
delegado do partido. Ele defende a saída do governo.
O
estranhamento velado entre a direção nacional do PMDB e o Palácio do Planalto
aumentou na última semana com a demissão do presidente da Fundação Nacional de
Saúde (Funasa), Antônio Henrique Pires — ligado ao grupo do vice-presidente
Michel Temer. Ambos só ficaram sabendo da exoneração pelo Diário Oficial da
União. Na quinta-feira, o diretório do PMDB do Rio de Janeiro anunciou que
votará em peso pelo desembarque do governo. Dos 12 votantes, somente dois devem
se posicionar a favor de Dilma: o líder do partido na Câmara, Leonardo
Picciani, e o prefeito do Rio, Eduardo Paes — que enviará um suplente à
reunião.
Um
dirigente peemedebista ouvido pelo Correio avalia que não se pode subestimar o
esforço de ministros e outros correligionários para tentar manter o partido no
governo, mas a decisão do Rio deve reforçar a saída e pode ter efeito cascata.
“Isso mostrará aos outros diretórios a certeza de que o desembarque vai ser
expressivo. Não há a menor chance de reverter (a tendência)”.
Temer,
que estava de viagem marcada para Portugal onde participaria como conferencista
de um seminário luso-brasileiro de Direito Constitucional, em Lisboa, decidiu
cancelar a ida e ficar em Brasília, já na segunda-feira. Apesar de presidente
nacional do partido, ele não participará da reunião, mas permanecerá no país na
costura de uma unidade partidária. Nos bastidores, o desembarque do PMDB do
governo é tido como certo. Para evitar uma ruptura interna na legenda, o
partido deve optar por dar aos correligionários condições para deixarem o
governo.
O
PMDB tem hoje sete ministros no governo Dilma: Marcelo Castro, no Ministério da
Saúde; Celso Pansera, no de Ciência, Tecnologia e Inovação; Eduardo Braga, no
de Minas e Energia; Henrique Eduardo Alves, no Turismo; Kátia Abreu, no da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Hélder Barbalho, na Secretaria de Portos
da Presidência da República; e Mauro Lopes, na Secretaria de Aviação Civil.
Todos eles defendem a permanência, mas Kátia e Castro são os que mais têm se
mostrado resistentes em entregar seus cargos em prol da maioria.
Na
avaliação de peemedebistas, quando o governo exonera alguém como o fez com
Pires, dá um sinal de que não mais acredita na permanência do partido. Antes da
demissão na Funasa, outro sinal ou equívoco do Planalto que não contribuiu para
apartar o desembarque foi a recente nomeação de Mauro Lopes à Secretaria de
Aviação Civil.
Decisão conjunta
Nesta
segunda-feira, os ministros peemedebistas devem se reunir em busca de um
consenso: se entregam seus cargos, como sinaliza a cúpula do partido, ou se se
descolam da provável maioria para manterem-se no poder. Certo é, garante o
ministro da Saúde, que o grupo deverá reagir conjuntamente. No Piauí durante o
fim de semana, seu estado natal, Marcelo Castro descartou um encontro com o
vice-presidente da República para debater ou simplesmente articular o assunto.
Disposto
a botar panos quentes no mal-estar causado pela exoneração do presidente da
Funasa, Castro a definiu como “meramente técnica”. Defensor da permanência do
PMDB no governo e contrário ao processo de impeachment contra a presidente
Dilma, ele ainda acredita na reversão das estatísticas que hoje afastam o seu
partido do Palácio do Planalto. “Quem é contra o governo aproveita-se dessas
situações (como a demissão de Antonio Henrique Pires) para fazer barulho”, diz
o ministro.
O
mapa dos votos / Maioria do partido de Michel Temer deve votar pela saída do
governo
UF
Número de votantes
Fechados com Dilma
Alagoas 5
Amapá 2
Amazonas 2
Mato Grosso 2
Pará 5
Sergipe 2
Contra Dilma
Acre 2
Bahia 4
Distrito Federal 2
Espírito Santo 5
Goiás 6
Mato Grosso do Sul 5
Paraíba 6
Pernambuco 2
Rio Grande do Sul 7
Rondônia 3
Roraima 2
Santa Catarina 7
São Paulo 4
Tocantins 2
Divididos
Ceará 7
Minas Gerais 10
Paraíba 6
Piauí 3
Paraná 6
Rio Grande do Norte 3
Rio de Janeiro 12
(10 contra Dilma)
Por:
Hédio Ferreira Jr/Especial para o Correio - Correio Braziliense
Por:
Julia Chaib - Correio Braziliense
Blog do Alberto Barbosa


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