O PMDB deverá aprovar nesta terça-feira a proposta de rompimento com o governo Dilma Rousseff
Inaldo Sampaio
A
menos que aconteça o imponderável, o diretório nacional do PMDB deverá aprovar
nesta terça-feira a proposta de afastamento da base governista. O partido é o
mais pragmático do país. Não tem bandeira, não tem ideologia, não tem programa.
Mas, como diz o ex-deputado Maurílio Ferreira, tem um “latifúndio eleitoral”
cobiçado por todos os governos e isso lhe dá força política para ocupar o
espaço que tem: sete ministérios. A decisão pelo rompimento não será aprovada
por unanimidade porque o PMDB nunca foi unido. Mesmo na época da ditadura
militar, tinha dois grupos bem definidos: os “moderados” e os “autênticos”.
Todavia, a proposta de ruptura será aprovada por mais de 70% dos diretórios,
incluindo os de Pernambuco. Será a “abertura da porteira” para que o PP faça a
mesma coisa e que a comissão especial da Câmara aceite a denúncia do
impeachment, tornando difícil, senão impossível, barrá-la no plenário.
Temer
está no seu papel
É
injusto acusar o vice Michel Temer de participar de uma “conspiração” para
derrubar Dilma como fez ontem Humberto Costa (PT). O vice tem sido correto até
demais com a presidente. No entanto, como o impeachment é quase inevitável, ele
está fazendo o que qualquer outro político responsável faria se estivesse em
seu lugar: preparando-se para assumir. Isso implica conversar com políticos de
todas as tendências para tentar constituir um governo de “união nacional”.
Tradição
– Fiel à sua tradição, o PSDB marchará desunido para um eventual governo Temer.
José Serra e Geraldo Alckmin são a favor de que o partido indique quadros para
um eventual futuro ministério. Já Aécio Neves é contra. Como só pensa
“naquilo”, isto é, nas eleições de 2018, defende que o PSDB dê apoio ao
governo, mas sem ocupar cargos. Parece brincadeira!
Erro
– Ciro Gomes (PDT) definiu como “estupidez inominável” o convite de Dilma a
Lula para fazer parte do seu ministério (Casa Civil) e os fatos dão razão ao
ex-governador do Ceará.
Rutura
– Eduardo da Fonte (PE) defenderá amanhã na reunião da bancada federal do PP
que o partido rompa com Dilma e devolva logo a Codevasf e o Ministério da
Integração Nacional.
Contas
– O deputado Sílvio Costa (PTdoB) é o novo “matemático” do Palácio do Planalto.
É quem faz as contas para Dilma sobre os votos a favor e conta na votação do
impeachment.
Presente
– Ao contrário do que se disse na coluna, o prefeito afastado de Gravatá, Bruno
Martiniano, garante que continua residindo no município. “Só saio daqui para
cuidar dos meus afazeres e para me reunir no Recife com os meus advogados, que
preparam minha defesa no Tribunal de Justiça contra o processo de intervenção”,
disse ele.
Contra
– Os deputados licenciados André de Paula (PSD), Danilo Cabral (PSB) e Felipe
Carreras (PSB) vão reassumir suas cadeiras na Câmara Federal no dia da votação
do impeachment para “marcar posição” contra o governo Dilma. Todos vão votar
contra a presidente. Já Sebastião Oliveira (PR) aguarda orientação do partido.
Reprise
– O deputado e presidente regional do PTB, José Humberto, está otimista com o
desempenho do partido nas eleições municipais, apesar de muitos petebistas
reclamarem uma presença mais efetiva do ministro Armando Monteiro em Pernambuco.
O PTB, de fato, poderá crescer bastante no próximo ano, absorvendo quadros da
Frente Popular que vão perder as eleições e colocar a culpa no Governo do
Estado, filme já visto em 2012.
Filiação
– O ex-deputado Osvaldo Rabelo Filho filiou-se ontem ao PMDB no escritório
político do deputado Jarbas Vasconcelos. A ficha foi abonada pelo próprio
Jarbas e o vice-governador Raul Henry. Jarbas era amigo de Osvaldo Rabelo
(pai), que foi líder político em Goiana e presidente da Assembleia Legislativa
no governo Joaquim Francisco. “Osvaldinho”, como é conhecido em Goiana, vai
tentar ser prefeito de lá pela quarta vez.
Blog do Alberto Barbosa


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