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| População acompanhou velório do garoto |
População clama por Justiça
à crianças desaparecidas. Após o desaparecimento seguido do assassinato do
jovem Denílson Antônio Teixeira da Silva, de 13 anos, moradores de São Lourenço
da Mata, na Região Metropolitana do Recife (RMR), pedem a celeridade da polícia
nas investigações de outros dois casos de sumiço de duas crianças no município
que ainda não foram elucidados.
Segundo a mãe de Denílson, a
doceira Vânia Maria da Silva, o seu filho não é a única vítima daquela cidade
e, acredita que o principal suspeito de assassinar seu filho, o professor de
futebol José Luciano do Nascimento, está envolvido em outros crimes. Denílson,
de 13 anos, desapareceu na última quarta (9), quando avisou a mãe que ia
encontrar o tal professor que lhe prometia doar chuteiras e uniforme para
treinar em seu time. O sonho do garoto era ser goleiro, chegou até ganhar
campeonatos intercolegiais e não sabia fazer outra coisa como destacou o amigo
próximo da vítima, José Johnsson, também de 13 anos. "Denílson era bom
como goleiro. Jogávamos juntos e ganhamos campeonatos. A lembrança que tenho é
de um garoto sonhador, como eu também sou", lamentou.
Mas, a vida de Denílson
carregada por suas ambições foi interrompida no dia de seu desaparecimento. Foi
morto a socos e pontapés e o corpo foi encontrado em uma mata fechada no
Engenho Cabaça, na Zona Rural de São Lourenço. Vânia relata o filho foi
encontrar com o suspeito na praça Senador Carlos Wilson, para buscar a tal
promessa. O encontro foi marcado às 14h e o garoto foi sozinho, já que a praça
fica bem próxima ao colégio em que estudava. "Umas 15h liguei para ele e
pedi para que assim que pegasse o uniforme retornasse para casa. Só que estava
demorando muito e estranhei. Resolvi ligar novamente e daí ele atendeu chorando
me pedindo socorro. Perguntei o que estava acontecendo, mas daí não escutei
mais a voz dele e sim de outros pessoas gritando. Logo depois a ligação caiu e meu
desespero começava", relatou a mãe de Denílson.
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| Local onde o corpo de Denílson foi encontrado |
Ela
iniciou seu martírio na Delegacia de São Lourenço, mas chegando lá obteve sua
primeira dificuldade. "Disseram que o plantão havia encerrado e que não
tinha viatura disponível para fazer rondas. Pediram que eu retornasse no outro
dia para prestar queixa", comentou Vânia. A segunda opção da doceira foi
procurar o Conselho Tutelar e acompanhada do conselheiro Ademar Feliciano foi
até a residência do professor Luciano. Mãe e o membro do conselho não sabiam
que a ida até o suspeito seria crucial para a sua prisão.
"Procuramos
ele e o questionamos sobre o garoto. Ele estava calmo e respondeu que não sabia
aonde estava o garoto e que ficou sabendo de seu sumiço porque foi avisada por
outra criança. Terminada a conversa, pedi para que ele assinasse o relatório, e
em seguida, percebi que havia uma mancha de sangue no papel. Fiquei calado e
sai de lá direto para a delegacia para entregar uma possível prova de que ele
estaria envolvido em algum ruim", relatou Ademar. Segundo Vânia, a
delegada Carmem Lúcia, responsável pelo inquérito, recebeu o documento ontem
(10), e solicitou o exame de DNA no Instituto de Medicina Legal (IML), para
comprovar que o vestígio de sangue era mesmo de Denílson. "Coletaram a
minha saliva e fizeram o exame. Constataram que realmente era o sangue do meu
filho", disse.
Com
a prova em mãos, a polícia foi na busca do professor e o conseguiu prender
ainda em sua residência. Em depoimento, o suspeito negou envolvimento na morte
do garoto e disse que o crime teria sido cometido por outra pessoa. Apesar de
negar participação, José Luciano que já cumpriu pena de quatro anos por
pedofilia no Estado do Mato Grosso, confessou que manteve relações sexuais com
o menino e apontou o local em que o corpo estava. O professor foi preso em
flagrante e encaminhado ao Cotel, em Abreu e Lima.
Enterro
Após
o corpo de Denílson ser liberado na tarde de sexta (11), do IML, uma multidão
de pessoas - entre moradores, familiares e amigos - aguardavam pelo
sepultamento no Cemitério Municipal de São Lourenço. Às 16h, aconteceu o
velório da vítima seguido de seu enterro. Lá, conselheiros tutelares voltaram a
falar sobre os casos de desaparecimento de crianças no município. "Existem
dois casos, mas não temos denúncias que estes sumiços têm ligação com o José
Luciano", disse o conselheiro Ademar Feliciano.
A
Folha procurou a delegada Carmem Lúcia para saber se há inquéritos em andamento
para estes casos denunciados, mas não obteve êxito.
Blog do Alberto Barbosa / Folha de PE / Imagens Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco


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