MANUSCRITO QUE IMPLICA DILMA FOI ENTREGUE POR CONTADORA A PF. É UMA BOMBA NA POLÍTICA BRASILEIRA, MAIS FOGO, NO PRÓ IMPEACHMENT.
Manuscrito do mega-doleiro Alberto Youssef entre à
Polícia Federal pela contadora Meire Poza, mostra o nome da presidente Dilma Rousseff
ao lado de valores. O documento foi entregue em abril de 2014, às vésperas da
campanha de reeleição da presidente da Republica, mas, estranhamente,
mantinha-se incógnito até agora. A revelação está na edição deste fim de semana
da revista IstoÉ.
O manuscrito entregue por Meire Poza à PF é um bilhete escrito de
próprio punho pelo doleiro e guardado a sete chaves pela Lava Jato. Esse
documento é a principal revelação do livro Assassinato de Reputações II
– muito além da Lava Jato – de autoria do delegado Romeu Tuma Jr,
previsto para ser lançado nesta semana.
É a primeira prova ligando Dilma ao doleiro. No
manuscrito, a referência à Dilma é o segundo item abaixo do registro “1.000.000
Bsb” (um milhão Brasília). Ao lado do nome da presidente aparece o número 17, a
palavra viagem e ao que tudo indica ser um horário “16:30”.
No primeiro item, Youssef refere-se a um “novo embaixador”. Na sequência,
ele sugere o desembolso de alguma quantia: “1.000 – Pagar 50”. Para a
secretária do doleiro, conhecedora dos submundos do Petrolão, uma das
explicações para o apontamento de Youssef seria “algum pagamento que deveria
ser feito à Dilma”.
A reportagem de Sérgio Pardellas, de IstoÉ, informa que de
acordo com relato da contadora, ao receber o papel, em abril de 2014 na
Superintendência da PF na Lapa, em São Paulo, o delegado Márcio Anselmo, da
força-tarefa da Lava Jato, vibrou: “Que coisa maravilhosa”, teria dito, segundo
testemunho dela que consta do livro Assassinato de Reputações II.
Ao presenciar a cena, Meire pensou na hora: “Dilma estava no esquema”. Anselmo
estava acompanhado do agente Rodrigo Prado. Tanto o manuscrito citando Dilma
como os demais documentos entregues por Meire foram acondicionados no
porta-malas de uma Range Rover Evoque, apreendida pela Lava Jato e agora a
serviço da PF.
No dia seguinte, o agente
Prado enviou um email à contadora de Youssef: “Nossa conversa foi muito boa.
Vamos mantendo contato por aqui”. Começava ali o trabalho de Meire Poza como
uma espécie de agente infiltrada da PF. Ao longo de mais de um ano, até meados
de setembro de 2015, a contadora municiou os policiais federais com uma série
de informações relevantes. A maioria delas foi considerada pelos integrantes da
Lava Jato na hora de produzir provas contra envolvidos no esquema de desvios na
Petrobras.
Os relatos se revelaram cruciais para a deflagração de operações que
vieram a seguir. Estranhamente, o bilhete em que o doleiro menciona a
presidente teve outro destino. Nunca foi incorporado às provas da Lava Jato.
Além de não aparecer no e-Proc, sistema de consulta dos processos da
força-tarefa, IstoÉ apurou que o documento nunca foi encaminhado à
Procuradoria-Geral da República (PGR) – caminho obrigatório e formal de
qualquer indício ou prova envolvendo um presidente da República. “Esse
manuscrito nunca apareceu por aqui”, assegurou na semana passada um alto
integrante da PGR que se debruçou sobre o material relativo ao doleiro Alberto
Youssef.
Para Romeu Tuma Jr, o
episódio é um claro indicativo de que possa ter havido pressão do Planalto para
abafar o caso. “É uma indicação forte de que houve uma tentativa de proteger
Dilma”, afirmou Tuma Jr.
Blog do Alberto Barbosa / Diário do Poder


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