G1
Jaboatão
dos Guararapes, no Grande Recife, é o primeiro município pernambucano a adotar
o ‘botão do pânico’. Com ele, mulheres com medida protetiva quebrada poderão
acionar o dispositivo sempre que se sentirem ameaçadas. O aparelho ainda
permite gravar conversas, que poderão servir de prova judicial contra o
agressor. A prefeitura está aguardando a conclusão do processo licitatório e a
aquisição de toda tecnologia. A previsão é que o programa esteja em
funcionamento em até três meses.
A
parceria entre a administração municipal e o Tribunal de Justiça de Pernambuco
(TJPE) tem por objetivo reforçar o sistema de acompanhamento e proteção de
mulheres sob medida protetiva expedida pela Justiça. A iniciativa foi firmada
na terça-feira (15). O anúncio surge no mês de comemoração e homenagens às
mulheres.
Na
ocasião, também foi anunciada a primeira Patrulha Municipal Maria da Penha
(PMMP). Até então, esse tipo de efetivo atuava apenas em caráter estadual. Ele
é um braço da Guarda Municipal. Sempre com três pessoas em cada equipe, sendo
uma mulher, é realizado um treinamento especial para que os policiais saibam
como lidar tanto em graves ocorrências quanto orientando a população. O
patrulhamento já está atuando em Jaboatão.
“Ele
funciona em duas frentes. Uma delas é a visita a essas mulheres, para
tranquilizá-las. A equipe vai perguntar se teve alguma intercorrência e se a
medida está sendo cumprida. É uma ação sócio-preventiva. A outra é acompanhar
os chamados do Botão do Pânico e direcionar um efetivo para atender”, explicou
a secretária executiva da Mulher do município, Ana Selma.
O
botão tem um aspecto parecido com aqueles alarmes de carros e a tecnologia é
inspirada na já usada no Espírito Santo. Uma mensagem com o nome da vítima e
seu endereço aparecerá nas telas dos SMARTPHONES da PMMP quando acionado. O
serviço funcionará 24 horas e os chamados serão atendidos tanto pela patrulha
quanto por policiais civis ou militares, a depender de quem estará mais perto
da ocorrência.
Mesmo
sendo um grande passo para a proteção de vítimas de agressão doméstica, não são
todas as mulheres que terão o pequeno instrumento de segurança nas mãos. Para
ser inserida no cadastro que será acompanhado pela patrulha, é levado em conta
o nível de agressão que essa mulher sofreu e o perfil do agressor e se essa
agressão teve alguma incidência.
“A
juíza encaminha o nome com os dados dessa mulher para o Centro de Referência da
Mulher Maristela Just [no bairro de Prazeres]. Lá, serão lançadas todas essas
informações na base dos dados do programa. A partir daí, ela passa a integrar a
rede de monitoramento. O dispositivo será entregue a vítima após passar por uma
orientação de como usá-lo”, acrescentou a secretária executiva.
Para
a juíza titular da Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de
Jaboatão, Andréa Cartaxo, a aplicabilidade do ‘botão do pânico’ no município
servirá como exemplo para todo o estado. “Estamos na fase de estudo, de
entender como ele funcionará na prática. Inspiramos-nos em Vitória, mas vamos
adaptar para o perfil das agressões cometidas aqui. Vamos entender o que mais
podemos fazer para melhorar. Estamos usando todos os instrumentos disponíveis
para combater a violência doméstica”, pondera a magistrada.
Blog do Alberto Barbosa

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