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quarta-feira, 10 de maio de 2017

Manifesto na Câmara pede recusa do auxílio-alimentação e ironiza o valor com 'quentinha'

Protesto ironiza o alto valor utilizado pelos vereadores para alimentação, de mais de R$ 3 mil. Foto: Aline Moura/DP
Protesto ironiza o alto valor utilizado pelos vereadores para alimentação, de mais de R$ 3 mil. Foto: Aline Moura/DP
Mesmo com chuva, o Movimento Livres e a Rede Meu Recife chegaram à Câmara de Vereadores do Recife para realizar um protesto contra o auxílio-alimentação dos parlamentares, que custa atualmente R$ 3.095,00. Os vereadores chegaram a votar um aumento de aproximadamente 50%, mas foi revogado depois de repercussão negativa nacional. O manifesto se responsabilizou por entregar quentinhas a moradores de rua na hora do almoço no entorno da Casa de José Mariano, e atrasou por conta das chuvas. A montagem das quentinhas ocorreu na frente da Câmara. 

No início da manhã, o grupo Meu Recife chegou à Câmara para visitar os vereadores com um pedido de renúncia do auxílio-alimentação. A partir das 9h30, todos os gabinetes foram visitados, mas apenas um vereador estava presente, Rodrigo Coutinho (Solidariedade), que não recebeu o grupo porque estava em reunião. Foi entregue a assessores ou representantes dos parlamentares uma carta-sugestão do que é possível fazer com os R$ 3 mil que eles recebem hoje. O gabinete de Antônio Luiz Neto (PTB) recusou-se a receber os manifestantes.


Entrega de quentinhas será feita a moradores de rua. Foto: Aline Moura/DP
Entrega de quentinhas será feita a moradores de rua. Foto: Aline Moura/DP

Vale ressaltar que o auxílio alimentação compõe um dos rendimentos dos vereadores, que chegam a um salário bruto total de mais de R$ 28 mil. A queixa em relação ao benefício diz respeito à falta de transparência, porque é um das fontes do salário em que o vereador não precisa declarar como e onde foi gasto o auxílio.

"Nós sabemos a realidade política do nosso estado e sabemos que, talvez, esta seja uma luta muito difícil (...) É complicado quando um vereador se recusa a falar cara a cara com um eleitor, falar cara a cara com o cidadão que paga para ele estar aqui todo dia, para cumprir todas as funções que ele jurou fazer no início da Legislatura. Quando um vereador fala sobre suas contas, seu processo de trabalho, ele não está fazendo nada além da obrigação. A gente, enquanto cidadão, está aqui para exigir que ele cumpra o seu mandato", declarou a cientista social Camila Fernandes Mendes, 27 anos. 

Outro parlamentar que chegou antes dos manifestantes na hora do almoço foi o verador Jairo Brito (PT). Ele foi questionado se iria abrir mão do benefício e afirmou que teria que pensar e conversar com várias pessoas, "porque a receita do auxílio é compartilhada com a equipe."

Os irmãos Josias Cosme da Silva, de 26 anos, e Sebastião José do Nascimento, 23 anos, são moradores de rua e foram à Câmara para receber a refeição. "Somos da rua e me disseram que tava dando comida aqui e vim. Estou esperando porque estão arrumando ainda", disse Josias.

Questionado pelo Diario se sabia que os vereadores recebem mais de R$ 3 mil em vale alimentação, contestou. "Sei. É uma vergonha nesse Brasil. Muita gente desempregada como a gente, que não arruma emprego, não tem oportunidade. Eu tenho um filho de dez anos e não recebo nada, nenhuma ajuda, nenhum auxílio-moradia. A gente precisa de uma força e não tem porque já dizem que a gente é usuário de droga, o que não tem nada a ver", protesta.

No total, foram entregues 100 quentinhas. Eles não conseguiram arrecadar R$ 3.095 (valor do benefício dos vereadores). O ato simbólico de entrega de alimentos durou 25 minutos. 

"Tem vereador hoje que justifica esse abusivo valor do auxílio-alimentação como se fosse um alimentação que vale para todo gabinete, mas isso não condiz com a realidade. O que acontece realmente é a utilização de dinheiro público para atender a interesses pessoais desses parlamentares que, diga-se de passagem, são extremamente improdutivos. No ano passado, sete em cada dez sessões não foram até o grande expediente porque não existia quórum. Os vereadores não compareciam às sessões. São vereadores improdutivos que custam muito caro aos cofres públicos", declarou a historiadora Karla Falcão. 

O inesperado

No final do evento, quando todas as quentinhas haviam sido entregues, o próprio movimento foi surpreendido pelo discurso de um morador de rua, feito em frente à Casa José Mariano, que também é a casa do povo. Sérgio Ferreira da Silva, 37 anos, não conseguiu pegar a quentinha a tempo e ficou irritado. Ele, como todos os moradores que apareceram por lá para se alimentar, estavam cientes do valor referente ao auxílio-refeição dos vereadores do Recife. 

"Eles prometem x e b e esquecem do povo. Eu quero sair das drogas, da rua, mas ninguém ajuda. Ninguém sabe se eu vou estar vivo amanhã. Cadê o prefeito, cadê os vereadores?", indagou num certo momento. Estava indignado com a indiferença dos vereadores ao contexto social no qual ele e outros são obrigados a viver.  "A gente está passando o que vocês não passam não", desabafou.



Com informações dos repórteres Aline Moura e Luiz Felipe Silvestre 
Atualizado às 16h31 - 09/05/2017


Diário PE
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