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domingo, 8 de janeiro de 2017

OPINIÃO: CEMITÉRIOS VIVOS, POR ALFREDO PRADO


Esse é o preço que o Brasil paga e continuará a pagar enquanto quiser enterrar os seus marginais, os seus delinquentes, os seus assassinos e os seus pilha-galinhas em cemitérios de vivos.




Duas chacinas em dois presídios brasileiros no espaço de uma semana, quase uma centena de mortes, dezenas de reclusos em fuga. Num país pautado pela moralidade política e pela ética seria o suficiente para mandar para casa uma boa mão-cheia de governantes e de funcionários dos mais diversos níveis. Mas não, não é o caso! Todos continuam sentados e bem sentados nas suas poltronas acolchoadas. E, possivelmente, nelas continuarão...a não ser que a indignação popular se faça ouvir.

Como habitualmente, ninguém é responsável seja pelo que for. O ministro da Justiça não é responsável: afinal de contas, as prisões onde as chacinas, as decapitações, as degolas, e os esquartejamentos ocorreram são estaduais. E, assim sendo, a entidade máxima são os governadores dos dois estados, no caso do Amazonas e de Roraima. Mas, naturalmente, não cabe aos governadores meterem o bedelho em tudo! Para isso servem os secretários estaduais, e os secretários-adjuntos, e os chefes de serviços, e os auxiliares-administrativos, e os porteiros.
E se, e quando, eventual investigação vier a ser realizada, é bem provável descobrirmos que, afinal, ninguém foi responsável. Além, obviamente, dos próprios reclusos que se esfaquearam uns aos outros e que, inebriados pelo sangue quente que escorria pelos pisos húmidos, se entregaram a rituais de esquartejamento e decapitação, que fazem regredir a humanidade à idade média, quando as cabeças eram espetadas nas paliçadas e os adversários empalados.
As declarações do governador do Amazonas e dos seus secretários, a que todos assistimos nos serviços noticiosos das televisões, são chocantes pelo grau de irresponsabilidade e pela desfaçatez, procurando agora empurrar todo o ônus dos acontecimentos para a empresa privada a quem o poder estadual entregou as vidas de milhares de reclusos – pelas quais o Estado é constitucionalmente responsável – em troca de milhões. O que levanta também a questão da privatização das prisões, sendo sabido que há deveres sociais, como a exclusão, a reclusão e a reinserção, que não conjugam com lucro. E as empresas privadas, naturalmente, existem para distribuir lucros entre os seus sócios ou acionistas. Mas essa é uma outra questão...
Em Boa Vista, o cenário dantesco não é muito diferente do que se impôs em Manaus. Assassinatos, decapitações. Aparentemente, na capital de Roraima as autoridades policiais foram mais céleres na operação de retomada do controle. Já na capital amazonense, o inferno prolongou-se por cerca de 17 horas. Como foi possível? Dezassete horas de farra sanguinária?
Dias depois da chacina em Manaus - uma tragédia anunciada, para a qual o governo estadual foi alertado, conforme documentação já vinda a público – o presidente Michel Temer realizou uma reunião para anunciar um plano nacional de segurança pública, previamente esboçado.
Ao abrir a reunião, Temer, reconhecido e experiente político e constitucionalista, decidiu fazer um breve comentário ao que acontecera em Manaus. Um comentário de solidariedade aos familiares das vítimas. Foi parco na fala. Pelo menos na fala vinda a público. Do que disse, ficou a expressão: "acidente pavoroso". "Quero me solidarizar com as famílias que tiveram seus presos vitimados naquele acidente pavoroso que ocorreu no presídio de Manaus".
Isso e o anúncio de mais alguns milhões para construção de cinco presídios parece ser pouco, muito pouco, face à dimensão do problema que se arrasta há décadas. O sistema prisional brasileiro está degradado, apodrecido. Quem o diz são os especialistas,  as organizações internacionais como a Anistia Internacional, o Human Rights Watch, a Autoridade de Direitos Humanos da ONU, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e muitas outras.
A responsabilidade por se ter chegado ao que assistimos nos últimos dias é, em primeiro lugar, do Estado, dos governos – do federal aos estaduais -, do legislativo, do judiciário. Mas é também responsabilidade de todos nós, da sociedade mais ou menos bem comportada, incluindo, já agora, aquelas "feras" que comungam da ideia que "preso bom é preso morto".
Estes esquecem, ou fingem ignorar, que grande parte dos assassinos que degolaram e decapitaram os seus colegas de reclusão, em manifestações de barbárie que constrangem o país, foi precisamente dentro desses cemitérios brasileiros de vivos, chamados prisões ou coisa semelhante, que perderam todos os traços de humanidade que tinham ou ainda tinham antes de prevaricarem. Esse é o preço que o Brasil paga e continuará a pagar enquanto quiser enterrar os seus marginais, os seus delinquentes, os seus assassinos e os seus pilha-galinhas em cemitérios de vivos.

Por Alfredo Prado
Cedido por: Consultores de Comunicação Associados, sediada em Brasília e com parcerias nos países lusófonos, o Portugal Digital

Do: Blog Portugal Digital
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