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domingo, 21 de agosto de 2016

CONSUMIDOR JÁ PODE GERAR A PRÓPRIA ENERGIA ELÉTRICA EM CASA

Foto: Assuero Lima

O consumidor já pode transformar sua residência em uma usina de produção de energia elétrica. Segundo o engenheiro eletricista Carlos Alberto Caldas de Albuquerque, da Marca Engenharia, a tecnologia disponível já permite a instalação de equipamentos para geração a partir da luz solar.  Nessa conversa com o Correio, Carlos Alberto conta como deve ser feito o investimento, o que é preciso e como é todo o processo.  O excesso de energia produzido é jogado diretamente na rede elétrica e sendo produtor, o consumidor pode zerar sua conta de energia. E o que é melhor: não precisa mudar nada na instalação da própria casa.
– O sonho do consumidor gerar sua própria energia já é possível hoje?
– Sim, principalmente depois que foi abolida a cobrança do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços) sobre a geração fotovoltaica.
– Tecnicamente o consumidor já pode transformar sua casa em uma geradora de energia?
– Pode tranquilamente. Basta instalar o que chamamos de gerador solar. Apesar do nome – muita gente associa a um motor girando e gerando e não é nada disso.
– E como é?
– É um equipamento estático. Você olha e ele está parado. O que faz funcionar é exatamente a incidência de luz sobre os módulos solares.
– O que são esses módulos?
– Essas placas são células compostas de silício – elemento em abundância na natureza. Ele é tratado, quando são produzidas umas lâminas que quando recebem a luz – necessariamente não é obrigado a ser luz solar. Se você colocar aqui ele capta. Por isso, o nome fotovoltaica. Ela transforma luz em energia.
– Como o processo se dá?

– A INCIDÊNCIA DE LUZ SOLAR É TRANSFORMADA EM ENERGIA ELÉTRICA. OUTRO EQUIPAMENTO RECEBE ESSA CORRENTE CONTÍNUA E TRANSFORMA EM CORRENTE ALTERNADA E FAZ A CONEXÃO COM A REDE ELÉTRICA INSTALADA NA RESIDÊNCIA, DA INDÚSTRIA, ENFIM DO CONSUMIDOR.

– Já é viável para o consumidor residencial?
– Já sim. Hoje o “pay back” do investimento é em torno de seis anos. Um pouco mais um pouco menos, a depender da tarifa, porque há diversas modalidades tarifarias. Então, dependendo da modalidade em que o consumidor está incluso, o retorno dele será mais rápido.
– O brasileiro é sempre apressado. Será que ele vai ter paciência para esperar esse tempo?
– Vai ter que ter. Se ele não fizer esse investimento ele vai ficar eternamente pagando energia. Um equipamento desses é fabricado para durar 25 anos. Se em seis ele se paga, 19 anos serão de saldo. Há notícias de que na Alemanha há equipamentos funcionando há 40 anos. E pelo rendimento que esses equipamentos ainda produzem se estima que eles durem mais de 50 anos.
– Quanto o consumidor precisa investir?
– Um consumidor que gasta R$ 400 por mês com energia elétrica teria que investir entre R$ 35 mil e R$ 40 mil para gerar a própria energia e vender o excedente.
– Há financiamento?
– Há. E a tendência é que eles se diversifiquem. Hoje praticamente só há financiamento para pessoa jurídica. Há expectativa é de que surjam novas linhas de financiamento.
– O equipamento que está disponível para o consumidor é capaz de gerar que quantidade de energia?
– Isso é calculado para gerar a energia necessária para o consumo. O consumidor precisa apenas do capital para investir e de área para instalar o sistema, porque quanto maior o sistema, maior será o número de placas do coletor solar. Então isso vai ocupar um espaço maior, quer seja num telhado ou num terreno.
– Qual a relação da energia fotovoltaica com a sustentabilidade?
– Excelente. As pessoas quando pensam em usar energia fotovoltaica lembram logo de baterias, porque o combustível do gerador solar é a luz e só há luz durante o dia e as pessoas imaginam que por isso há necessidade de algo para armazenar. Mas a bateria suja o projeto. Deixa de ser energia limpa para ser suja.
– Por quê?
– Por causa do passivo ambiental, tanto na produção das baterias – há uma degradação grande do meio ambiente – quanto no descarte. Para descartar uma bateria sem poluir há todo um processo a ser cumprido e que não é barato. Sem contar que as baterias precisam ser renovadas periodicamente. Por melhor qualidade que elas tenham no mínimo de quatro em quatro anos.
– O que torna atraente para a dona de casa investir em um sistema com energia solar?
– Alguns aspectos são atrativos. Primeiro, a instalação é simples, não é preciso alterar a instalação elétrica residência. O equipamento é instalado e liga na rede do jeito que ela está. Não é necessário uma instalação específica.
– Há algum outro atrativo?

– O CONSUMIDOR VAI SE VER LIVRE DE ESTAR PAGANDO O CONSUMO. NA REALIDADE HÁ UM ASPECTO INTERESSANTE PARA RESSALTAR. A CONTA NÃO É ZERADA. O CONSUMIDOR PAGA AO MENOS A TAXA MÍNIMA, O QUE É IRRISÓRIO.

– Se o consumidor produzir mais do que precisa?
– O equipamento é dimensionado para gerar um volume anual de energia porque a cada dia há uma geração diferente porque um dia tem mais incidência de luz do que outro e de uma estação para outra. No verão, o potencial é maior. Então, há mês que o consumidor gera mais do que consome e o excedente fica de crédito para abater no mês que gerar menos que o consumo.
– Como o excedente entra no sistema?
– Ele injeta a potência na residência e quando ela é maior do que o que se está consumindo o que passa vai para rede elétrica da concessionária de distribuição e alguém vai consumir em algum lugar. Você fornece energia a título de empréstimo à concessionária.
– O que ocorre à noite?
– O consumidor não gera. Consome do que gerou em excesso e estava como crédito. É instalado um medico especial, que registra o que entra e o que sai e no final do mês fornece um saldo, como uma conta bancária.
– O sistema é capaz de gerar energia para qualquer necessidade, até a industrial de alto consumo?
– Tem condições. O limite é a área que será disponibilizada para a instalação dos painéis e o quanto o cliente tem para investir. Esses são os únicos fatores limitantes.
– A Paraíba hoje em relação ao País continua na vanguarda?
– Na verdade, a Paraíba, em termos de pesquisa e tecnologia, despontou nos anos 1970, mas na verdade era energia solar térmica e hoje nos temos a energia fotovoltaica que aproveita a luz. Não se na Paraíba hoje há pesquisas nesse sentido, de modo eu a tecnologia é importada, apesar de haver vários fabricantes nacionais.
– Como é o processo que transforma a luz em energia?
– A célula fotovoltaica absolve a luz e um processo interno – atômico – libera elétrons nos elementos que compõem a placa e essa liberação de elétrons provocada pela luz é quem gera a corrente.
-Como se dá a manutenção do sistema?
– A manutenção do sistema é basicamente limpeza para evitar que se deposite sujeira nos vidros da placa, porque o depósito de resíduo faz com que passe menos luz. É um equipamento projetado para trabalhar sob todas as condições de tempo, com chuva, granizo, ventania etc. Vai ter mais dificuldade de acesso – se as placas estiverem no telhado, por exemplo – do que usar uma mangueira de lavar.
– O problema para o consumidor é apenas disponibilizar o espaço?
– Essa modalidade está se desenvolvendo no Brasil que é a chamada micro geração distribuída, porque são pequenos geradores distribuídos ao longo da rede nos bairros, em cada residência e vai chegar o dia em que cada consumidor terá seu gerador. Se não para zerar o consumo – às vezes não consegue porque não tem área disponível – mas o que for produzido se abate.
– Qual o espaço que é preciso?
– Isso varia de local para local porque se sabe que a incidência da luz solar é diferente de um lugar para outro. A área aqui em João Pessoa em torno de 5m² se gera 100 kW/mês.
– O consumo médio de uma residência é de quanto?
– 400 KW, 500KW. Isso de uma forma grosseira só para dar uma ideia.
– O sol na Paraíba favorece?
– A Paraíba é um dos melhores lugares do Brasil para se gerar energia solar. Tem um dos maiores índices de radiação, particularmente no Sertão. Nos temos índices dos maiores do mundo. Outra curiosidade: a Alemanha é o país que desponta na área de micro geração distribuída. E o melhor lugar da Alemanha, em termos de radiação, é 30% inferior ao pior lugar do Brasil. Imagine o potencial que nosso País tem para a energia solar fotovoltaica.
– Na Paraíba já há consumidores com projetos transformando a residência em usina de geração de energia?
– Já temos equipamentos instalados na cidade. E o pessoal está satisfeito.
– Há unidades de grande porte, por exemplo, na indústria?
– Não. Não é viável, só em alguns poucos casos por causa da tarifa, que prolonga o retorno do investimento. O retorno ao invés dos seis anos que falei anteriormente, chega a oito, nove anos. Não compensa. Mas vai chegar a hora que será viável.
– O que falta?
– O famoso custo Brasil. A carga tributária é muito alta, a logística da fiscalização é arcaica, o que contribui para elevação de custos. Um exemplo: fizemos uma proposta para um cliente da área industrial e por conta das regras do financiamento e do faturamento, ele tinha que ter um índice de 60% de nacionalização do produto, o que é correto porque valoriza a indústria nacional, mas, por outro lado, essa exigência tornou o investimento 60% mais caro. Saltou de R$ 3,6 milhões para R$ 5,8 milhões.
– Na comparação com outras fontes de energia limpa, como está a geração fotovoltaica?
– Cada uma vai ter seu espaço, porque uma é mais vantajosa do que a outra dependendo da aplicação. Vai depender da avaliação de um profissional conhecedor do processo para definir o tipo de energia mais adequada. Há uma série de parâmetros a ser levada em conta como o local, disponibilidade de espaço, etc. Você tem uma casa cercada de prédios altos vai ter sombra o dia inteiro, não dá para instalar energia solar.
– Qual a quantidade de horas/sol por dia para a geração?
– Teve luz ele começa a gerar porque temos a incidência direta e a indireta, através da reflexão. O sol ainda não saiu e o dia já está claro. É lógico que há um lumiar, a partir de certo ponto que começa a gerar, mas não é obrigada a incidência direta. Na nossa região a maior eficiência seria das 9 h às 15 h 30. Mas antes e depois desse horário haverá geração, mas numa quantidade menor.
– A energia solar é o futuro?
 Por Luiz Carlos Sousa do Correio da Paraiba
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