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sábado, 30 de julho de 2016

APÓS UM ANO, MENINA QUE PERDEU O PAI EM ACIDENTE LUTA CONTRA SEQUELAS

Indionara e a filha Ana: as duas moram sozinhas após a morte do pai da menina (Foto: Indionara Steimbach/Arquivo pessoal)Indionara e a filha Ana Carolina: as duas moram sozinhas após a morte do pai da menina (Foto: Indionara Steimbach/Arquivo pessoal)
Era por volta de 19h30 de uma quinta-feira quando pai e filha chegavam em casa, na Zona Sul de Porto Alegre. A menina estava na carona de uma moto, tripulada por Paulo Rogério de Paula Neves, 34 anos. Subitamente, um carro cruzou a Estrada Costa Gama em alta velocidade e invadiu a pista contrária, atingindo os dois. O motorista fugiu do local, sem prestar socorro.
Pouco mais de um ano após o atropelamento, ocorrido em 2 de julho de 2015, Ana Carolina Steimbach Neves, de nove anos, luta diariamente para se recuperar das graves sequelas da colisão, que lhe tirou os movimentos, e matou seu pai. O homem não resistiu ao impacto da colisão e morreu na hora. A menina foi levada às pressas ao Hospital de Pronto Socorro (HPS) em estado gravíssimo.
Há um ano eu lutava ferozmente pela vida da Ana. Hoje a luta é por um tratamento digno"
Indionara Steimbach, de 32 anos, mãe de Ana
"A Ana, de certa forma, também perdeu a vida. Ela não vive o mínimo que viveria se não estivesse nessa condição", diz ao G1 a mãe Indionara Steimbach, de 32 anos.
Hoje a casa da família passa boa parte em silêncio. Aos cuidados da mãe, Aninha, como é chamada, não fala, mas demonstra atenção e acompanha com os olhos as movimentações, as visitas, o entra e sai de amigos, familiares e médicos.
"Há um ano eu lutava ferozmente pela vida da Ana. Hoje a luta é por um tratamento digno. Nós vivemos em condição de luta permanente. Não só eu e ela, mas a família, os amigos", conta.
Entre a vida e a morte, a menina teve sérias lesões na cabeça e ficou internada durante 43 dias até conseguir sair da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), primeiro do HPS e depois do Hospital da Criança Santo Antônio, para onde foi transferida devido a uma hidrocefalia, quando há acúmulo de líquido no cérebro, agravando seu quadro, que já era grave. Fraturas no crânio levaram a outras complicações, algumas quase irreversíveis.
Ana teve graves lesões no cérebro durante o acidente (Foto: Indionara Steimbach/Arquivo pessoal)Ana teve graves lesões no cérebro no acidente
(Foto: Indionara Steimbach/Arquivo pessoal)
"Foi aterrorizante. Eu olho pra trás e não teria coragem de viver tudo isso novamente. Ela ficou sedada, em estado de coma. Quando olhava pra ela, parecia que ela estava dormindo, apesar da cabeça que estava toda enfaixada. Parecia uma noite de sono, mas se transformou em longos dias", lembra.
Segundo a Indionara, a vida da família mudou completamente desde aquele julho de 2015."Foi o ano mais difícil de todos que já passei na vida. Em momento algum, mesmo temendo algumas coisas que acontecem na sociedade, assaltos, mortes, até mesmo acidentes, eu imaginei que passaria por isso", desabafa.
Além do luto pela perda do marido, Indionara tenta dar uma melhor condição de vida à filha. "Para mim, os filhos são extensões de nós. A Ana é uma extensão do nosso amor. E é torturante olhar pra ela e ver as consequências da imprudência, da falta de valor, falta de amor ao próximo. Ela leva com ela as consequências do dia do acidente. A nossa rotina virou uma batalha para recuperarmos o que a Ana perdeu. Eu invisto cada minuto do meu dia nisso", comenta.
A mulher precisou abandonar o emprego para se dedicar integralmente aos cuidados da única filha. Ana depende de Indionara para tudo. "Desde o dia do acidente eu me afastei de tudo. Eu achei que a Ana acordaria. Mas agora ela precisa de mim o tempo inteiro. Antes éramos eu, ela e o Paulo. Agora somos nós duas em casa", conta. “Não posso tirar os olhos dela”, acrescenta.
Mãe faz campanha para pagar tratamento
A renda de Indionara é formada pela pensão por morte do marido e pelo benefício concedido a ela pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), devido ao afastamento para cuidar da filha. O plano de saúde até cobre alguns atendimentos de fisioterapia e fonoaudiologia, mas ainda há muito a fazer, e os custos também são muitos.

Ela reconhece melhoras no quadro da filha, mas entende que a situação ainda é delicada. "De lá pra cá a Ana demonstrou muitas melhoras. Pequenas, algumas sutis. Mas ela demonstra todos os dias que está conseguindo melhor para o lado, emitir um resmungo, ter mais percepção de algum barulho dentro de casa, um bracinho que se mexe de forma diferente", detalha a mãe. "Hoje ela se enquadraria num estado semivegetativo. Às vezes ela se conecta ao mundo, às vezes não. Ela se enquadra em um estágio semiconsciente, digamos assim", descreve.
Indionara, a filha e o marido: ele morreu no acidente (Foto: Indionara Steimbach/Arquivo pessoal)Indionara, a filha e o marido: ele morreu na colisão
(Foto: Indionara Steimbach/Arquivo pessoal)
Para contribuir com os custos da recuperação da filha, a mãe organizou a campanha "Todos Somos Aninha", com o objetivo de arrecadar fundos e arcar com o valor as despesas do tratamento, focado em um resgate tanto motor quanto cognitivo da menina.
"A gente faz alguns eventos pra Ana, galetos, brechós, rifas. Mas como esse tratamento tem um custo altíssimo, ainda não conseguiria bancar. E por acreditar que a rede social atingiu um público muito maior, eu decidi tentar", diz.
A expectativa é angariar R$ 84 mil para realizar o Tratamento Intensivo do Protocolo de Pediasuit (PediaSuit). Ele consiste em uma série de fisioterapia intensiva composto de quatro horas de terapia por dia, de segunda a sexta, durante quatro semanas.
A indicação médica é que Ana faça, na primeira fase, seis protocolos, como são chamadas as sessões de fisioterapia. É necessário que o procedimento seja realizado mês sim, mês não, pois é preciso uma pausa de 15 a 30 dias para que o organismo da menina absorva os estímulos.
"A gente fez algumas sessões individuais, que o orçamento permitiu, e a gente viu respostas bem significativas dela. Tenho certeza que se ela for fazer todos os protocolos indicados, ela vai dar uma resposta muito positiva pra nós", confia a mãe.
Motorista responde em liberdade
A Polícia Civil prendeu dois suspeitos do fato 26 dias após. Eram um empresário de Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, e um funcionário dele.

O veículo que colidiu com a moto era um Logan preto. Segundo a investigação, o automóvel  havia sido furtado.
Carro havia sido roubado minutos antes do acidente na Zona Sul de Porto Alegre (Foto: Divulgação/BM)Carro havia sido furtado minutos antes do
acidente (Foto: Divulgação/BM)
Na época, o diretor da Divisão de Homicídios da Polícia Civil, delegado Carlo Butarelli, concluiu que o carro foi negociado com um dos sócios de uma revenda de veículos para pagar uma dívida entre os dois. No entanto, o antigo proprietário contratou o empregado para que ele recuperasse o carro, que foi furtado da garagem do dono.
Em 28 de julho de 2015, o empresário foi preso em casa em Novo Hamburgo. Já o funcionário foi detido em Porto Alegre.
O motorista do carro foi denunciado por homicídio e tentativa de homicídio. Conforme a denúncia assinada pelo promotor Jorge Alberto Alfaya, o homem, de 58 anos, trafegava com carteira de habilitação vencida. Além disso, diz o Ministério Público (MP), o condutor tem Mal de Parkinson, e não teria condições de dirigir, além de estar andando acima da velocidade permitida.
Moto atingida pelo veículo roubado em acidente na Zona Sul de Porto Alegre (Foto: Divulgação/BM)Moto de Ana e do pai atingida pelo veículo na Zona
Sul de Porto Alegre (Foto: Divulgação/BM)
Em audiência, no último dia 19 de julho, ele admitiu os fatos. Solto, ele vai responder em liberdade. O juiz entendeu que ele não oferecia mais riscos.
Já o homem apontado pela polícia como mandante foi solto e não foi denunciado pelo MP, que entendeu não haver provas suficientes contra ele.
“Ele ficou preso por quase um ano e no interrogatório confessou. O juiz determinou a soltura dele, que vai aguardar o fim do processo em liberdade. Agora o processo está na fase das alegações finais, mas ainda vai haver recursos”, explica ao G1 o advogado da família Neves, Paulo Dariva. “Considerando que ele ficou preso no período, acho foi uma tramitação ok”, avalia o defensor. A defesa do réu está a cargo da Defensoria Pública.
Do: G1 RS
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